"Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo..." (esse título é pelo mundo imaginário dos livros) Por algum motivo passei alguns minutos pensando na história de Cyrano de Bergeràc, e fui parar em como conheço algumas histórias que nem sei que conheço... Parei na biblioteca do colégio, onde a moça que cuidava às vezes implicava com minha retirada de livros. Eu retirava um livro por dia, lia inteiro durante a tarde e na manhã seguinte devolvia e retirava outro (acho que ela não acreditava que eu realmente lia). Passava os sábados de inverno na cama, lendo e lendo e lendo. A coleção Vaga-Lume, li quase toda. Mas meus preferidos eram os de Pedro Bandeira, pra quem escrevi uma cartinha e guardo a carta-resposta até hoje, como aquelas pequenas relíquias de pequenos colecionadores. Adorava os personagens, as histórias malucas, e queria-os meus, só pra mim. Acordar e vê-los do meu lado, embalar o sono nos pensamentos suicidas de Isabel, nas loucuras de Telmah, nos códigos dos Karas... E eles eram tão meus que sentia ciúme quando algum colega falava com entonação diferente o nome dos meus personages. Eu sabia o nome certo. Eles eram meus. E hoje pensando no Cyrano, lembrei que conheci essa história em um desses livros. Assim como conheci Hamlet, Macbeth... Só posso babar mais ainda nesse cara! Colocar Sheakspeare no imaginário de uma pessoinha de 11, 12 anos, tem que ser macho! Depois veio o Drummond, Josué Guimarães, Érico Veríssimo (li toda a história de Clarissa, uns 8 ou 9 livros, não lembro), Jorge Amado, Zélia Gattai, Marguerite Duras, Anaïs Nin, Chico Buarque, os poetas, os saldos da feira do livro, tantos e tantos que nem lembro mais. ...E pensar que hoje quase não leio, só na empolgação dos dias da Feira. E mesmo assim, não é como antes. Leio com pressa de acabar, com pressa de assimilar, com pressa pra começar o outro livro, às vezes me dou conta que estou lendo 3, 4 ao mesmo tempo. E agora senti saudade de quando eu lia e encarnava os personagens, viajava, vivia minha história e em outros mundos, paralelos, dentro de outras histórias... Acho que não sei mais ler.
17:30 ::
...29.9.03
Ontem à noite Enquanto pensava, sentia, atuava, fatuava e juntava tudo e formava eu, chovia uma
chuvinha fina, dessas que duram muito e que ficam fazendo um sonzinho dentro da gente que só faz atiçar nossos sonhos...
15:13 ::
"Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos sou eu." (Ouvido n'A hora da estrela) Penso que encontrei, sinto que foi perfeitamente maravilhoso como tinha que ser. Mas também sinto que esse silêncio me agride. E isso faz pensar que pelos caminhos do desencontro, tudo que é perfeitamente maravilhoso, também é vão. Voltamos ao zero.
01:50 ::
*PESSOAS INVISÍVEIS Valeram as mais de 2h no Theatro são Pedro, ocupando o camarote destinado ao governador (chiquérrimo!). Muitas histórias dentro de uma história só, me senti meio na Itália há alguns anos. Ou no Bexiga. Além de um final muito muito fofo, onde os atores andam como bonequinhos, tem um cenário de babar! *Inspirado no traço e nos temas do americano Will Eisner – genial criador das grafic-novels que revolucionaram o mundo das histórias em quadrinhos – foi considerado um dos dez melhores espetáculos de 2002 e indicado ao Prêmio Shell de Teatro, nas categorias melhor autor (Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes), melhor atriz (Simone Mazzer), melhor cenografia (Paulo de Moraes e Carla Berri) e melhor música (Paulo de Moraes). Para construir o texto do espetáculo o dramaturgo Paulo de Moraes se fixou em seis histórias de Will Eisner: O edifício; NY – A grande cidade; Dropsie avenue; Reader; The story of Gehard Schnobel e Contrato com Deus. Will Eisner é um dos mais importantes autores de história em quadrinhos de todos os tempos e vive em Miami onde continua a produzir. Seu último livro, lançado recentemente, conta a história dos judeus nos Estados Unidos através de várias gerações.
01:47 ::
...28.9.03
A LONA NA LONA Essa vai em homenagem ao circo que se acaba hoje, e que trouxe muita alegria e encantos às tragédias dessa vida, durante essas semanas. Agradeço a quem fez isso acontecer. Do fundo do meu coração. E mais uma vez afirmo que eu não quero mais ser quem fica. Quero ser quem vai embora. Porque essa saudade, esse buraco que fica cada vez que o circo se vai, dói, e isso eu não quero não.
Esta lona furada parece que ninguém lhe dá nada!... - já viveu histórias e loucuras, sonhos que passaram, tantas aventuras. Abrigava os homens mais fortes, muitos enfrentando a morte E embalava as noites com modinhas e mulheres a bailar.
Vem pra cá! vem, morena, dançar me ensina o lundu. Passo a passo e faceiro, brinco na roda do picadeiro. Vem pra cá! vem, morena, dançar me mostra o lundu. Gira o pano, gira o mundo, e roda a saia assim.
Sei que ninguém acredita que, mesmo rasgada, é bonita. É só reparar e não ter pressa a lona é como um barco de ponta-cabeça. Coisa de doido, maluco lelé ir remando contra a maré Mas se os furos estão para cima não tem como afundar.
No peito da lona eu vejo meninos a voar e fazem dela um céu, oh, morena, como a tua saia sempre a girar. Rodam numa invenção que os furos se enchem de luz. E surgem em toda a parte as estrelas que ainda brilharão. (Anônimo, letra de Hugo Passolo)
19:33 ::
Uma coisa muito linda Mas tão linda que não tenho nem palavras pra descrever o encantamento que é, é *SEVÉ. Pensei tanto que raios de nome era esse... não é que é Sevé de Severino? É tão perfeito que nem dá pra ver as pessoas que manipulam os bonecos. Encheu os olhos! *Depois de quinze anos dedicando-se ao público infanto-juvenil, a Zero Cia. de Bonecos apresenta um espetáculo para adultos. Escrita por Wilma Rodrigues e Fernando Limoeiro, a peça conta o misterioso rapto da bela esposa de Sevé e a viagem que este inicia para descobrir seu paradeiro. Baseado no cordel pernambucano, o espetáculo está repleto de religiosidade, tradições, crendices e canções que revelam a singularidade do povo do sertão brasileiro. Aproxima-se de uma epopéia na qual o herói é um homem comum que tenta derrotar as forças do mal, personificada pela figura do capiroto (nome usado no Nordeste para denominar o demo) que se confunde com os prepotentes fazendeiros e senhores de engenho da década de 40. Quem quiser e puder, ainda rola hoje, às 22h no Teatro de Câmara. Vale muito!!!
Uma coisa muito fofa Foi o que vi sexta (último dia), *A HORA DA ESTRELA. Deu vontade de amassar as bochechas do elenco! *O romance de Clarice Lispector ganha vida através de uma linguagem cênica que reúne as técnicas teatrais do clown, dos contadores de história, dos repentistas nordestinos e das máscaras e do jogo de arquétipos da Commedia dell´Arte. A montagem inclui a história da própria autora ao se deparar com a necessidade de criar esta obra, seu último livro publicado em vida. As aventuras e desventuras de Macabéa, uma nordestina no Rio de Janeiro são encenadas numa feira por uma trupe de atores cordelistas. A Cia. de Teatro de Improviso Os Bobos da Corte destaca-se por seu trabalho de pesquisa aonde vêm adaptando obras de Machado de Assis, Gregório de Mattos, Oswald de Andrade e de Clarice Lispector.
04:49 ::
...25.9.03
Mais umas do bloco mágico - "Ah... eu não fui um homem-bosta... Eu tomei uma decisão..."
- "É bom falar só o milagre. O santo não, né?"
20:15 ::
Almas (de) artistas "...Mais um dia, mais uma cidade pra se apaixonar Querer casar, pedir a mão... Saltar, sair, partir de pé em pé antes do povo despertar. Pular, zunir, como um furtivo amante antes do dia clarear. Apagar as pistas de que um dia ali já foi feliz Criar raiz e se arrancar...
Hora de ir embora quando o corpo quer ficar Toda alma de artista quer partir Arte de deixar algum lugar, quando não se tem pra onde ir... (...) Ir deixando a pele em cada palco E não olhar pra trás E nem jamais, jamais dizer... Adeus." (Edu Lobo/ Chico Buarque)
Tenho agora a sensação de aeroporto. Aquele cheiro, som, imagem, um turbilhão de sentimentos e a distância como única coisa certeira. Ir ao aeroporto é a confirmação de que aquilo bateu forte. Mesmo que a gente não saiba o que vai acontecer depois. Mesmo sabendo que vai chegar no fim da tarde sem saber o que fazer, pra que lado ir. Com a sensação de que o dia está grande demais, pessoas indo, pessoas vindo, e no fundo sempre aquela alegria querendo rasgar o peito e sair pra rua. E aquela vontade de que o tempo voltasse e fosse ontem, anteontem, os três últimos dias, os três cigarros, a última lasanha, ou qualquer coisa que tirasse essa saudade, esse não-sei-o-quê-vazio. Mas fica só essa certeza de que tudo começou, e que faz a gente sonhar que vai continuar, e imaginar quando, como...
Palhaço... Saudade! (de novo...) :´o(
"Quem sabe o que é ver quem se quer partir e não ter pra onde ir?" (Rodrigo Amarante)
19:54 ::
As últimas crássicas do Bloco Mágico Ponto de Encontro - "Bah, caiu minha buceta!"
Baga Teatro Grego - "Bagasexta... tudo bem... mas o Nero dançando rock'n'roll eu nunca tinha visto!"
Um paulista tentando sair pra almoçar numa tarde de chuva em Porto Alegre - "Bah tchê! Mas temos que pegar uma gôndola pra sair daqui!"
23:19 ::
Três cigarros e a última lasanha Surpreendente, engraçadíssima, com um puta ator, uma produção muito cuidadosa, vale MUITO ver *essa peça, que estará em cartaz até amanhã no Teatro de Câmara às 22h. *O monólogo dirigido por Débora Dubois coloca em cena uma história inusitada: num restaurante executivo, tarde de quinta-feira, um freguês habitual, após almoçar sua lasanha, percebe que teve sua mão direita decepada. A última lembrança antes do acidente é que fumara seu terceiro cigarro durante o café. O ator e diretor Renato Borghi, foi indicado como melhor ator para o Prêmio Shell 2002 por esta magnífica atuação e o espetáculo foi indicado ainda para as categorias melhor texto e melhor direção. Com 45 anos de carreira, Borghi criou ao lado de Zé Celso Martinez Corrêa o Teatro Oficina nos anos 60, numa parceria que durou 13 anos e rendeu clássicos como O rei da vela, de Oswald de Andrade e Galileu Galilei, de Bertolt Brecht. Desde então vem se dedicando ao teatro. Seus últimos trabalhos como ator foram Tio Vânia e O jardim das cerejeiras, ambos de Tchekov.
(há! agora que descobri que meu crachá = ingresso, não perco mais nenhuma!)
15:05 ::
"Sirvam nossas façanhas de modelo à toda terra!" Ingresso pra festa: de grátis, sou muito vip! Muita cerveja: de grátis também porque tenho amigos muito chiques Passar a noite ensinando o hino rio-grandense a nossos amigos paulistas: não tem preço!
14:51 ::
...19.9.03
"A vida dos deuses cabe nas cidades. A vida das pessoas mal cabe nas cidades..."
E a partir dessa frase, meus olhos, ouvidos e todos os sentidos se voltaram pra *GOTHAM SP. É um tanto longa, a arquibancada é desconfortável, mas encheu meus olhos d'água e a boca de sorrisos. Além de uns apertinhos no coração. Vale ver!
*Peça da Cia. Teatral Ueinzz, trabalha com o chamado teatro do inconsciente relacionando a linguagem da loucura à arte contemporânea. Inédito no Brasil o trabalho corrobora dois caminhos importantes: de um lado valoriza e dá voz a um grupo de criadores e artistas incomuns e de outro dá continuidade ao trabalho experimental e de pesquisa dentro da arte contemporânea. O grupo reúne atores com larga experiência em teatro a atores amadores, usuários de serviços de saúde mental. A peça traça um delicado painel de situações líricas e trágicas das grandes metrópoles, pleno de subjetividade, non-sense e humor. A encenação conta com imagens de um vídeo especialmente criado para o espetáculo, além de música ao vivo do DJ Wilson Sukorski. Dias 19, 20 e 21/09 na Epatur.
Caio F. Esse é um dos meus trechos preferidos do monólogo "Caio F.", baseado em correspondências trocadas entre Caio e Luciano Alabarse. Inevitável rir, enquanto lembro da teoria do homem bosta, sobre a qual escrevo outra hora.
"Quanto à mim, aconteceram — ah! — algumas tragédias do coração. Diálogos ridículos, tipo, és-um-mito-para-mim e eu dizendo que os mitos também trepam. Tudo isso em pleno Rádio-Clube, no meio de um show de Ângela Ro-Ro. Nada mais perfeito. Tomei um porre de vinho, tiveram que me trazer em casa. Chorei a noite toda, dei vários telefonemas desesperados. Só me puteio por ter me enganado outra vez. Mas gosto de perceber que as dores são cada vez mais rapidamente superadas." Caio Fernando Abreu - carta para Luciano Alabarse, de São Paulo, 10/6/1984.
Amar é... Entre tantas outras sintonias finas, ter juntos, sem se falar, desejo de comer um picolé de chocolate às 3 da manhã de uma noite fria como essa, com um vento congelante de mais ou menos 5ºC. E se olhar e rir sem acreditar que estava vendo um picolé idêntico na mão do outro.
03:26 ::
...13.9.03
Enquanto todo mundo espera a cura do mal e a loucura finge que isso tudo é normal, eu finjo ter paciência... (Lenine)
15:36 ::
Depois disso tudo, o resto é perfumaria Dia de rua, de curtir o sol na barriga, caminhar no centro, resolver todas (quase) as pendengas, comer salada de frutas com sorvete da Banca 40, andar e andar e andar em todos os turnos do dia, vendo as caras das pessoas, as ruas, os prédios, as casas, o trânsito, os cafés, conhecer lugares novos, ir ao teatro, comer pastel e tomar cerveja no boteco que há muito não ía, ver pessoas diferentes nos arredores graças ao POA em Cena que começou, preparar a alma com um sorriso de primavera pra trabalhar incessantemente todas as noites das próximas três semanas, me despedir dela que foi pra Floripa, falar com ela com quem tenho uma ligação muito muito forte e saber que estamos juntas mesmo de longe o tempo todo, querer não querer ele ao mesmo tempo que queria dormir agarrada nele, falar com ele que tá lá nas bandas de Sampa e bêbado nesse momento, chegar em casa e ter uma casa fofa e linda e aconchegante e só minha, sem homemate indesejável e sem Tom Tom, que foi morar com o pai dele definitivamente, e pensar com um sorrisinho de boa noite que não importa com quem ou quantas pessoas as pessoas queridas tiveram ou têm uma história. Importa é a história que elas têm comigo e eu com elas.
01:12 ::
...11.9.03
Na orla dos sonhos distantes Lucas Luz
Na orla dos sonhos distantes, O teu beijo de reza E esse sorriso de circo.
Além nós, Um dia que não clareia. Dúvidas, remédios... O medo de esperançar
No ventre dessa saudade santa, O breve contágio da rotina E tuas ciências artesanais.
Além pele, Um pensamento vizinho. O sono, o sonho, o tempo. E eu casei com a distância...
"Nossa Senhora dos Sonhos A trapezista do circo Venha descansar na minha cama
Traga toda luz que há no céu Traga toda luz que há no chão Leva meu atalho e minha sorte No movimento da rua"
19:19 ::
...1.9.03
Da série roubado por uma causa necessária - segunda parte (Roubado dela, uma moça que sempre escreve coisas muito lindas! Desculpe aí pela edição...)
"Bendito és Tu entre os homens rasos e trôpegos, entre os homens vazios e tristes, e bendito é o fruto dos Teus olhos, a beleza que em mim não conhecia eco e que agora grita. Bendito Teu nome mil vezes em minha língua, em meu ventre, entre minhas pernas e escrito em minha cara, bendito Tu, meus arreios, vento que me lança contra o rochedo, asas que me elevam além dos cirros. Bendito, eternamente bendito sejas, toda vez que amaldiçôo o dia da minha entrega, da minha consagração, porque bendita sou eu entre Tuas mãos. Fui possuída pelo Teu demônio. Minha boca já não me traduz, apenas balbucia as palavras que semeaste. Meus olhos não me guiam, reproduzem os espectros das Tuas noites. Minhas mãos não procuram agarrar-se a nada além do Teu Corpo. Estou alienada dos meus dias e as garras do Teu demônio me escalam pelo avesso, marcam Teu nome em meu rosto, lanham minhas costas com tuas frases, drenam minhas forças para me manter acorrentada ao Teu leito. A um olhar Teu, o peito rompe, dos meus seios jorra o leite que sugas me consumindo, e não estou certa do mal que me fazes, contente de ser fonte, vou esvaindo do que sou feita até que tudo de mim seja Teu, até que não haja mais um resquício de Eu. Tudo em Ti me sugere desmesura por que em Ti meus olhos ganham fundura e contêm sistemas solares. Em Ti, meus átomos emulam galáxias instáveis e orbitam ao redor do Teu umbigo, centro do universo. ... Tudo de Ti está tão longe ... mas deixaste um grande ferrão encravado nalgum lugar inacessível de mim. Não Te sei, mas Te intuo, Te pressinto entre páginas, entre linhas, entre postos. Em mim, o corpo filhote ninho de pássaros milhares de bocas abertas esperam o alimento da Tua carne, o gosto ácido do Teu chegar quase não vindo. ... Teu abandono sempre tem no fim um gosto de promessa, uma esperança torta, um recomeçar moribundo ... Me suga pra dentro do mundo de lógica inversa que existe no Teu avesso e me deixa navegar até os lugares imprecisamente indicados pelo mapa da palma da Tua mão."
Vick Vaporub na veia! Você não pode perder de conferir os produtos (com direitos autorais meus, lógico) que a Tatá Records Corporation acaba de lançar pra alegrar a vida da gente. Faça clique aqui e veja mais informações sobre estas maravilhas, que vão de Mini-Hermanos (com direito a acompanhantes, e o primeiro é nada menos que Lenine!) a vale-teletransportamento. Aproveite! Edições limitadas.
14:53 ::
"... e há sempre uma canção para contar aquela velha história de um desejo que todas as canções têm pra contar ..." (Tom Jobim)